Trevas, segredos e devaneios

Poucos de nós não terão despertado antes do raiar do sol, após uma dessas noites sem sonhos que nos fazem quase enamorados da morte, ou daquelas repletas de horror e falsa alegria, quando pelos salões da mente transitam fantasmas mais terríveis do que a própria realidade, transbordantes daquela vivacidade que se esconde sob todas as coisas grotescas e que confere à arte gótica seu vigor duradouro por ser a que nasce, é de crer, nas mentes perturbadas pelos distúrbios do devaneio.

Das sombras irreais da noite retorna a vida real que conhecíamos. Precisamos retomá-la onde a deixamos, sendo invadidos pela sensação terrível da necessidade de continuarmos a despender nossa energia, praticando uma cansativa série de hábitos estereotipados; ou pode nos assaltar o desejo insensato de que nossas pálpebras se abram certa manhã para um mundo que haja sido remodelado nas trevas para nos dar prazer, um mundo em que as coisas teriam novas formas e cores, e fosse diferente por ter outros segredos, um mundo em que o passado teria pouca ou nenhuma importância, ou que pelo menos sobreviveria sem qualquer forma de obrigação ou arrependimento, pois a lembrança mesmo de uma alegria tem seu amargor assim como existe dor nas memórias do prazer.

Trechos aleatórios d’O Retrato de Dorian Gray, Oscar Wilde.

Felippe Alves


Jornalista, 20 e poucos anos, amante assíduo da arte e da música. Dono do próprio blog. Sem sucesso pra trabalhar na área. Tenho células suicidas (elas não me suportam e colocam substitutas no lugar). Não sei o que é real ou o que é fantasioso. E definitivamente não sei lidar com MUITAS coisas.

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