Cinema | Crítica Instantânea: O Anjo Malvado

O Anjo Malvado (The Good Son, 1993) é, realmente, incrível. Por ter atores mirins como protagonistas, todo mundo acha que se trata de um filme lindo e mágico. Mas, pra minha satisfação, é o contrário. Não é por nada, mas as crianças realmente atuaram nesse filme – ainda mais que o núcleo adulto. As expressões frágeis e macabras, de Elijah Wood e Macaulay Culkin respectivamente, não deixam a desejar.

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O filme já começa dramático até o talo. Mark (Wood) presencia sua mãe falecer e seu pai, pra cuidar dos negócios, resolve mandá-lo pra casa de um tio por 3 semanas. Lá ele conhece Henry (Culkin), que parece um menino normal como todos da sua idade. Mas no decorrer da trama, ele vai se mostrando um garoto com um senso de humor maléfico e sem um pingo de escrúpulos.

Mark percebe sua verdadeira face e tenta alertar a família. Em vão. Com esses surtos de alerta, a família acaba enxergando ele como um “garoto difícil que acabou de perder a mãe e está confuso”. E Henry, como um bom psicopata que é, se aproveita disso tudo pra continuar “reinando” por aí. Como se o que ele fizesse realmente se restringisse a isso. Ele se faz de inofensivo, sob o ar de “só queria ajudar, vamos compreender que Mark é só um garoto perturbado e que precisa de ajuda”.

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Mark acaba enxergando na tia (mãe de Henry) feições maternas e a partir daí Henry não esconde mais a sua verdadeira face. As cenas se desenrolam com uma naturalidade espantosa. Ele tenta matar a irmã Connie lançando-a no gelo fino da patinação. E ainda tem uma incógnita a ser desvendada. Sobre a morte do irmão pequeno, Richard. A verdade vai aparecendo e Henry se sente acuado pelas desconfianças. Aí que ele planeja matar a própria mãe (que, de acordo com ele agora, é a mãe de Mark – então, que diferença faz se ela morrer, não é mesmo?) Enfim, só mais quatro palavras: a cena do penhasco.

A crítica caiu em cima desse filme. Além de não engolir o Macaulay como uma criança malvada (com o excesso de bondade e comicidade com Esqueceram de Mim), acharam o filme “pesado” demais, se é que me entendem. O crítico Roger Ebert achou o filme inapropriado pra crianças.

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Mas porra, não tava na cara que o filme não era pra esse público? Só por causa de atores mirins nele. Mas também, quanto estereótipo… como se nunca tivesse tido filmes com essa temática “crianças do mal”. Ele teve a pachorra de descrever o filme como “horripilante, uma experiência desagradável”. Oras, é a verdade. Isso é real. Acontece. A arte imita a vida, qual o problema nisso tudo? Não sabe brincar não desce pro play, meu querido.

“Eis que a criança queridinha da América joga um boneco de uma ponte no meio de uma avenida, causando um acidente. Isso me assusta. Eu acho muita irresponsabilidade mostrar uma criança fazendo isso. Acho que se crianças virem esse filme, algumas delas vão imitar”

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Esse filme me aguça os sentidos de uma forma, mas de uma forma… E olha que mundo pequeno: o roteiro é de Ian McEwan, escritor britânico dos livros Jardim de Cimento, Sábado, Reparação, entre outros. E parando pra pensar, o universo das tramas dele realmente se batem. O estilo único de sua escrita. Nada é “lindo e mágico”. É real. Acho que por isso gosto tanto do trabalho dele.

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Sobre Felippe Alves

Jornalista, 20 e poucos anos, amante assíduo da arte e da música. Dono do próprio blog. Sem sucesso pra trabalhar na área. Tenho células suicidas (elas não me suportam e colocam substitutas no lugar). Não sei o que é real ou o que é fantasioso. E definitivamente não sei lidar com MUITAS coisas.

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