MDNA Tour: Uma jornada das trevas à luz

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Existem shows que nos emocionam. Que só do astro ou estrela aparecer no palco correm aquela (s) lágrima (s). Mas também tem aqueles shows que te deixam estarrecido, apenas. Você não chega a chorar, mas não quer dizer que você não está emocionado ou indiferente. Pelo contrário. São justamente esses que te deixam boquiaberto de admiração. É de um dinamismo tamanho que você não vê o tempo passar. E você (meio que) não liga pro atraso da estrela em questão, ainda por cima.

Caríssimos: a Madonna provocativa, sexy e inteligente dos anos 90 está de volta. É possível perceber elementos da Blonde Ambition e da Girlie Show. Ponto de exclamação. A tão esperada (e recém chegada ao Brasil) MDNA Tour cumpre com maestria o que promete: (quase) duas horas da energia da rainha do pop performando os sucesso de seu último disco de estúdio – MDNA – além dos clássicos mais queridos das três décadas de sua polêmica carreira.

O show, primeiro da MDNA Tour em São Paulo, no estádio do Morumbi, marcado pras 20 horas, teve 2 horas e 20 minutos de atraso. No Rio de Janeiro teve 3 horas. Até que não foi tão mal assim. Quando as luzes se apagaram às 20:20, aquela coisa bateu em todo mundo. Não passou de alarme falso. Entrava o DJ Gui Boratto. Suas batidas hipnóticas não comoveram a galera, que o vaiou em diversos momentos. Enquanto ele fazia o trabalho dele, poderiam aproveitar e arrumar o palco e etc. Mas NÃO. Depois que ele saiu, uma hora depois, ainda ficaram uma hora e tralalá organizando e limpando tudo.

22 horas e 20 minutos. Finalmente as luzes se apagaram. Act of Contrition/Girl Gone Wild abre o bloco “Transgression”. A entrada é impactante: de longe, uma de suas melhores. Além do cenário ser fenomenal. A igreja, os sinos, aquele vibe confessional… É bem dark, bem como o conceito inicial da turnê. A abertura lembra muito o filme “De Olhos Bem Fechados”, de Stanley Kubrick, naquela cena da seita pagã. Muito artístico.

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O primeiro bloco do show é só torcer e sair sangue. É realmente violento. A performance de Revolver arrancou suspiros, mas a de Gang Bang é um show a parte. De longe, a mais teatral do show. Madonna num quarto de hotel, bebendo whisky e atirando contra tudo e contra todos, toda aquele ar “Tarantino” de ser. Aliás, Tarantino ficou de dirigir o clipe – isso é, se virar single, que é o que todo mundo espera. E eis que a introdução com as cordas épicas de Papa Don’t Preach começa a tocar. Delírio define. Aliás, algo interessante nessa turnê a ser ressaltado: grandes clássicos mantiveram seus arranjos originais. Claro, com novos elementos, mas era possível sentir a essência da canção lá, sabe? E ah, teve Madonna na corda bamba (slackline) ao som de Hung Up.

Bloco Prophecy. Depois da interlude de Heartbeat com Best Friend, Madonna aparece com sua roupa de paquita da Xuxa e com sua fanfarra cantando Express Yourself – com o arranjo original. Como é que não vai se empolgar? Sem falar na alfinetada bem humorada a Lady Gaga, onde ela faz um mash-up com Born This Way (devido a semelhança nos arranjos de ambas as canções) e logo depois emenda versos de She’s Not Me, pra fechar com chave de ouro. Epic troll. E as projeções no telão? Mais pop arte impossível. Um dos pontos altos do show, sem sombra de dúvida.

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Give Me All Your Luvin’ teve uma aparição rápida, com soldados de verdade suspensos por uma corda tocando tambor. Para Turn Up The Radio, nada mais oportuno que um rápido mash up de seus sucessos com clipes no telão. O novo arranjo para Open Your Heart soou charmoso. Na versão de estúdio é revoltada e obriga o amante a se declarar. Já nesta versão nova, a voz está mais suave, como se implorasse pra ser amada. Mais uma forma de se reinventar.

E então Madonna resolve conversar um pouco com o público. Ela faz aquele discurso sobre preconceito, as diferenças no mundo, como a diversidade sexual e etc, além de gritar em alto e bom som: “somos uma só alma”. A platéia estava eufórica e realmente esperava que ela cantasse Holiday. Ela lançou um gélido e irônico olhar e disse: NÃO! E logo começou a cantar Masterpiece, a balada que faz parte da trilha do filme dirigido por ela “W.E: Romance do Século”. Na versão do show, o grupo Kalakan faz uma participação especial, assim como no decorrer do show.

O bloco seguinte, Masculine/Feminine, abre com o vídeo interlude classudo a la cabaret de Justify My Love, com cenas provocantes de Madonna em preto e branco. E logo depois, em seu arranjo original, Vogue dá o ar da graça. Uma dos mais belos tributos ao mundo mágico do cinema. A coreografia nova é interessante e lembra, vagamente, a usada na performance do Superbowl. Só que sem as roupas dos gladiadores. Ainda provocante, ela começa a cantar Candy Shop com samples de Ashamed of Myself, de Kelley Polar e, Erotica. E na sequência, dizendo que não se arrepende de nada, Human Nature. Ponto de exclamação de novo.

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E justamente nesse bloco que Madonna exibiu suas habilidades com o português, dizendo palavras como “gostosa” e “caralho”, essa última palavra repetida inúmeras vezes. Só aprender que não tira mais da boca. Esse bloco inteiro soa como um tributo a Girlie Show, sua turnê de 1993 que veio ao Brasil para divulgar o disco Erotica. Não só a esta turnê em questão como em diversos momentos gloriosos do passado. Essa idéia de “retrospectiva” da carreira é bem utilizada nesta era “MDNA”. Não só o disco mas também a turnê bate nesta tecla.

De acordo com a setlist da MDNA Tour ao redor do mundo, esperava-se que Madonna cantasse Like A Virgin e Love Spent. Mas, para a surpresa do público, isso não aconteceu. Havia quem estava esperando a surpresa pro final do show. Mera ilusão. Por favor, reclamando. E com razão. Dizem as más línguas que o motivo do corte das canções foi o atraso do show. Vai saber. Logo em seguida, aparece no telão o maravilhoso vídeo interlude protesto com Nobody Knows Me (mais uma vez, esse lance dos “vídeos protestos”, assim como na Confessions Tour e na Sticky & Sweet Tour). Inicia-se então o bloco derradeiro do show: Redemption, que segue com I’m Addicted e I’m A Sinner, a irmã mais nova de Beautiful Stranger. Neste bloco ela faz uma clara referência ao bullying.

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A música que deveria finalizar o show aparece como “penúltima”: Like A Prayer. Clássica. Plenitude artística. Aquele coral mágico, Madonna se jogando no chão ao som daquele coral mágico. Sem mais. Qualquer palavra a mais anula a magia. E pra finalizar o show, Celebration, com elementos de Give It 2 Me. Sticky & Sweet Tour feelings, é isso, produção? Eis que no meio de tanta coisa boa, outro ponto negativo aparece. Tanta música pra finalizar de verdade e logo Celebration é escolhida? É uma boa faixa? É. Se encaixa no conceito “trevas-luz”? Com certeza. Bem, acho que está perdoada, então.

Apesar de algumas músicas terem o efeito “vocoder” no microfone (como Hung Up, Girl Gone Wild, etc), ela provou que pode sim cantar ao vivo. Não foi uma performance vocal a la Céline Dion, claro. O foco da Madonna não é só o canto e sim a performance de maneira geral. Madonna se arrisca na guitarra, como em outras turnês. Não é uma exímia musicista, como vocês puderam perceber. Questão puramente estética.

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Madonna compartilha conosco, em quase duas horas, sua jornada das trevas à luz. A cada música performada, a iluminação é diferente. O show começa escuro, bem escuro e vai se iluminando gradativamente até que um flash estoura em nossos rostos… Fim. Nada de “bis”. Ela sai correndo em direção ao carro, pro hotel. Com Madonna é assim que funciona.

Veredicto do show: cada centavo muito bem empregado, por favor. A propósito: depois de ver a MDNA Tour, percebo que não perdi nada em 2008 com a vinda da Sticky & Sweet Tour ao Brasil. Não é recalque: é que o conceito desta turnê não é tão grandioso quanto o desta turnê. MDNA: uma jornada das trevas à luz. Como a própria Madonna disse: “É impossível chegar a um lugar sem passar por outro lugar”. Sábias palavras de quem está na ativa há 3 décadas. There’s only one queen and that’s Madonna. Bitch!

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Sobre Felippe Alves

Jornalista, 20 e poucos anos, amante assíduo da arte e da música. Dono do próprio blog. Sem sucesso pra trabalhar na área. Tenho células suicidas (elas não me suportam e colocam substitutas no lugar). Não sei o que é real ou o que é fantasioso. E definitivamente não sei lidar com MUITAS coisas.

5 Respostas para “MDNA Tour: Uma jornada das trevas à luz

  1. Sensacional, Felippe. Descreveu bem o que ocorreu no show. Os vídeos mostram a energia maravilhosa e a abertura com Girl Gone Wild é DIVINA.

    Pra mim, resta a tristeza por não ter ido 😦

  2. Magnificoooo! BEM ISSO mesmo…O show do RJ foi maravilhoso,e teve Like a Virgin… foi d+..nada a acrescentar…Parabéns pelo texto.

  3. Max

    A MDNA foi magnífica, o primeiro bloco é de tirar o fôlego e o Masculine/Feminine nem se fala, acho que todas as turnês dela tem um quê de especial, mas pra mim, mesmo com toda a produção, ainda não conseguiu superar a Sticky and Sweet tour que ao meu ver é magnífica, doce e divertida.

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Felippe Alves


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