Crítica instantânea | O Estrangeiro: Albert Camus

“Como se essa grande cólera tivesse lavado de mim o mal, esvaziado de esperança, diante dessa noite carregada de signos e estrelas, eu me abria pela primeira vez à terna indiferença do mundo. Ao percebê-la tão parecida a mim mesmo, tão fraternal, enfim, eu senti que havia sido feliz e que eu era feliz mais uma vez. Para que tudo fosse consumado, para que eu me sentisse menos só, restava-me apenas desejar que houvesse muitos espectadores no dia de minha execução e que eles me recebessem com gritos de ódio.”

(O Estrangeiro, Albert Camus)

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Ao terminar de ler este romance existencial francês, eu pensei: nem sempre frieza anda junto com maldade. Matou um homem? Matou. E daí? Camus tem por objetivo unicamente chocar as pessoas com atitudes repulsivas, mas, nem por isso, o personagem foi feito no molde da maldade.

Na verdade, os sentimentos do protagonista em questão são mais importantes do que o crime que ele cometeu. Só porque ele não chorou e nem demonstrou sentimento algum pela perda da mãe, ele pode ser tachado de assassino frio e calculista?

De acordo com ele, ninguém tem o direito de sofrer por outra pessoa. Ninguém tem o direito de chorar por alguém. A questão aqui é apenas “viver”. A falta de sentimento de Mersault é, no ponto de vista da maioria, sua carta de culpa.

Um excelente livro onde Camus expressa que somos nada mais do que animais irracionais e que a morte é algo natural. Deixando claro que o sentimento em diferentes situções não é obrigatório. E não é isso que vai denominar se uma pessoa é fria ou não.

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Sobre Felippe Alves

Jornalista, 20 e poucos anos, amante assíduo da arte e da música. Dono do próprio blog. Sem sucesso pra trabalhar na área. Tenho células suicidas (elas não me suportam e colocam substitutas no lugar). Não sei o que é real ou o que é fantasioso. E definitivamente não sei lidar com MUITAS coisas.

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