You! You! You Oughta Know: Alanis Morissette retorna ao Brasil para divulgar seu novo álbum Havoc and Bright Lights

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Alanis Credicard

Alanis Morissette retornou ao Brasil, depois de 3 anos, para uma série de shows. O motivo? Divulgar seu novo álbum de estúdio, Havoc and Bright Lights. Seu sétimo disco de estúdio e o primeiro em quatro anos traz à tona assuntos como como maternidade, obsessão pela fama e, claro, espiritualidade. “É o meu emocional, psicológico, social e filosófico comentado através da música”, disse ela.

Mas vou parar de ser tão automático. Até porque não dá pra ser mecânico se tratando de uma das maiores cantoras ever, pfvr musa da adolescência. O Credicard Hall recebeu Alanis nas datas 2 e 3 de setembro e eu estive lá no show do dia 3, segunda-feira.

Para uma segunda-feira, tudo estava correndo até muito bem. Clima agradável (frio, perfeito pra se agasalhar, ficar ouvindo música na fila, mandando sms, conversando com colega do lado, se aquecendo para o show), fila curta e grandes expectativas em relação ao setlist. Podia até ser paranóia do momento, claro, mas as pessoas até evitavam de sair de seus lugares com medo de perder os bons espaços. Nada de ir ao banheiro ou ir comer alguma coisa. Corpo estava fechado e nada mais. Exceto pr’aqueles que iam buscar uma cervejinha no balcão. Pra isso o corpo não estava fechado.

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Alanis chegou 30 minutos atrasada, abrindo o show com Woman Down, segunda música do disco novo. A galera foi ao delírio. Mal sabiam o que estavam por vir. Ou melhor, sabiam. Digo… pensaram que sabiam. Quem foi ao show do dia 3 esperando ouvir (e ver) a mesma setlist divulgada no dia 2, deu com os burros n’água. Ambos os dias tiveram suas peculiaridades, o que tornou tudo ainda mais interessante.

O setlist do show de domingo era realmente tentador. Duvido se não teve alguém que pensou que o show do dia 3 não seria diferente daquele. As setlists eram “basicamente” as mesmas, porém com algumas mudanças. No dia 2, ela tocou Perfect, Forgiven, Citizen of the Planet, Celebrity, 21 Things I Want In A Lover. Dia 3, ela substituiu TODAS essas por Flinch, So Pure, Edge of Evolution, Lens e Numb. Alanis conhece os fãs que tem. Óbvio que ela ia cantar mais da metade do Jagged. A experiência não poderia ter sido menos que estarrecedora. Por exemplo, ninguém esperava que ela cantasse Right Through You. Muito menos So Pure, do Junkie.

Enquanto o show da maioria das estrelas da música focam na super produção do palco, trocas de roupa e etc, não é de espantar que o da Alanis seja exatamente o contrário: palco simples e sem troca de roupa (só de guitarra). Trocava de guitarra como trocava de calcinha, mas isso é só um detalhe. Com certeza a Alanis dos anos 90 não teria essas frescuras. Como você pôde perceber, mesmo com o status atual de mãe e de mulher tranquila, é impossível desvencilha-la da Alanis dos anos 90. Afinal, ela definiu a música daquela época.

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Assim… que voz incrível é aquela? Ok, Alanis não é mais aquela jovem raivosa dos anos 90, mas muito daquela Alanis ainda existe: o cabelão ao vento, as jogadas de pescoço (chamem o Padre Merrin, ela deslocou a coluna várias vezes), a voz e etc. A energia continua igual, assim como a marca registrada das mãos que se movimentam freneticamente.

Por suas letras autobiográficas, é automático que o fã tome as dores/questionamentos de Alanis. Ao cantar You Oughta Know e Perfect, ele tenta imaginar o que ela passou. Assim como Guardian e Uninvited com uma certa leveza e paz. Alanis tem uma coisa que poucos tem: sua capacidade imensurável de controlar suas emoções. Ela vai, facilmente, da ira à tranquilidade. Conseguir cantar You Oughta Know com a mesma fúria dos anos 90 não é pra qualquer uma. Até porque é impossível e repaginar uma canção que não poderia ser cantada de outra forma. Ok, é possível. Mas a raiva ainda estará lá, querendo ou não.

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Definitivamente, a melhor performance vocal da noite foi Uninvited. Foi lindo ver todo mundo cantando junto, sabendo tudo de cor. Show ao vivo tem distorções e nem sempre se consegue ouvir tudo cristalino por causa da gritaria e etc. Mas em Uninvited deu realmente para ouvir cada nuance da voz de Alanis.

E a propósito, se você ainda está digerindo o Havoc and Bright Lights e gostou do que ouviu no show, pode esperar que você vai viciar no álbum num estalar. Seguem abaixo as setlists dos dois shows em São Paulo:

Setlist dia 2 de setembro

I Remain (Part 1) / 2 Woman Down / 3 All I Really Want / You Learn/ Guardian/ Perfect/ Forgiven/ Hands Clean/I Remain (Part 2) / Citizen of the Planet / Ironic/ Havoc/ Head Over Feet/ Celebrity/ I Remain (Part 3) / 21 Things I Want in a Lover / You Oughta Know/ Numb/ Encore: Hand in my Pocket/Uninvited/Thank U

Setlist dia 3 de setembro

I Remain (Part 1) / 2 Woman Down/ 3 All I Really Want /You Learn/ Guardian/ Flinch/ Right Through You/Hands Clean/So Pure /Edge of Evolution / Ironic/ Havoc/Head Over Feet/ I Remain (Part 3)/ Lens / You Oughta Know/Numb/ Encore: Hand in my Pocket/Uninvited/ Thank U

PS.: As fotos não ficaram grande coisa, por causa do zoom. Fui de pista normal, mas ainda assim fiquei perto. Não o suficiente pra fotos perfeitas, mas o que importa é que as fotos são minhas. Ruins ou não, ninguém tem nada com isso.

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Sobre Felippe Alves

Jornalista, 20 e poucos anos, amante assíduo da arte e da música. Dono do próprio blog. Sem sucesso pra trabalhar na área. Tenho células suicidas (elas não me suportam e colocam substitutas no lugar). Não sei o que é real ou o que é fantasioso. E definitivamente não sei lidar com MUITAS coisas.

4 Respostas para “You! You! You Oughta Know: Alanis Morissette retorna ao Brasil para divulgar seu novo álbum Havoc and Bright Lights

  1. Mais uma excelente resenha, Felippe. O show foi realmente incrível. Confesso que fiquei muito emocionado em Guardian ( o que eu pensei que fosse acontecer em You Learn ou Thank U) e que foi –mais uma vez – maravilhoso poder ver minha terapeuta ao vivo. Sem falar no reencontro com os velhos amigos e nas novas amizades que fizemos por lá. Parabéns pelo texto!

  2. Flavia

    O show foi maravilhoso e você o descreveu perfeitamente.
    Concordo contigo no ponto “para que um show cheio de efeitos e telões” com uma voz daquelas?! Quando ela começa a cantar, você se sente envolvido de um jeito que todas essas outras coisas são desnecessárias! Parabéns pela resenha!!!

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Felippe Alves


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