Rock of Ages: O Filme

Traz a linguiça que a farofa tá na mesa. Ou melhor, na tela

Rock of Ages

Para entender, pelo menos a princípio, o filme, é só ver o título: ele já diz tudo. Adaptado do musical homônimo da Broadway de 2005, Rock of Ages: O Filme, apesar de mal recebido pela crítica norte americana, cumpre bem o papel de entreter os fãs do rock n’ roll com performances dos hits clássicos dos anos 80 de bandas como Foreigner, Def Leppard, Journey, Poison, Scorpions, etc.

Dirigido por Adam Shankman (“Hairspray – Em Busca da Fama”), o musical evidencia a riqueza de uma época glamourosa com muito spray de cabelo, ombreiras e, claro, o glam rock, também conhecido como “rock farofa”. Acredite: o termo “farofa” neste caso é tudo menos depreciativo. Rock of Ages trata-se de mais um musical “jukebox”, daqueles que utilizam canções famosas pra contar uma história, vide “Across The Universe” e “Mamma Mia”, com sucessos dos Beatles e do ABBA, respectivamente.

A princípio, você olha torto por ver que um ex-RBD é um dos protagonistas, Diego Boneta. Mas acredite: veja o filme primeiro, nada de criar expectativas negativas ou de fazer comparações com as versões de Glee. A primeira ouvida, no trailer, há quem ame, há quem odeie. Mas torno a ressaltar: nada de julgamentos. O elenco também conta com Julianne Hough (Burlesque), Alec Baldwin (Simplesmente Complicado)  Mary J. Blige, a diva R&B, Paul Giamatti (Minha Versão do Amor), Catherine Zeta-Jones (Chicago),  Russell Brand (Histórias para Adormecer) e, por último mas não menos importante, Tom Cruise (De Olhos Bem Fechados), que interpreta o astro do rock Stacee Jaxx, líder da banda Arsenal.

Rock of Ages

O enredo do filme é clichê: Sherrie (Hough), a garota que sai do interior em busca dos seus sonhos, chega na Sunset Strip e se apaixona por Drew (Boneta), um garçom que trabalha num clube e que também sonha com seu espaço no mundo da música. Ela chega na cidade e tem sua maleta de discos clássicos do rock roubada, diga-se de passagem. O tema central é “correr atrás dos seus sonhos, quem sabe eles não se tornam realidade”. Em Rock of Ages é música que guia o enredo. Tudo é feito a partir do ponto de vista da música, o que torna tudo muito mais interessante. Por exemplo, Jukebox Hero (Foreigner) trata-se do sonho de um jovem de se tornar um astro. Se encaixou como uma luva no personagem de Boneta.

Depois de um mal entendido, Drew briga com Sherrie e consegue superar o medo de cantar ao vivo, devido às emoções a flor da pele e à raiva que sente da menina, injustamente, claro. Sherrie pede demissão e vai trabalhar de dançarina numa boate, cuja dona é Justice (Blige), que a encoraja ainda mais a seguir seus sonhos. Sob a premissa de que o rock ia acabar, Drew, orientado pelo empresário canalha do Stacee Jaxx, (Cruise) que não perdeu tempo em contrata-lo, interpretado brilhantemente por Paul Giamatti, muda de estilo e se torna parte de uma boyband de rap a la Marky Mark, The Z-Guyzzz. Mesmo nas circunstâncias atuais do personagem, não é mais humilhante do que ter sido um ex-RBD, hein Boneta?

A fotografia e a direção de arte estão incríveis, porque dão o brilho e o exagero necessário (ok, às vezes forçado) que representam os anos 80 com maestria. Cada personagem tem sua graça e o mais interessante disso é que eles aparecem no momento propício. Isso é natural, claro, mas em Rock of Ages, todos, sem exceção, cativam. Tanto pela atuação como pela boa performance vocal, apesar de um autotune básico aqui e ali. Exatamente como Alec Baldwin disse: “Adoro subir num palco e cantar, apesar de admitir que não tenho talento pra isso (…) Cinema e os seus truques”.

O personagem de Tom Cruise, Stacee Jaxx, é bem estereotipado (o que transmite certa graça ao longa): ele é uma mistura de Iggy Pop, Axl Rose e Dave Mustaine, com aquele ar superior prepotente. Shankman, no fundo, sabia que esse papel pertencia a Cruise, pois ele havia assistido a uma aula de canto dele e a partir dali tinha certeza que era ele. “Ele realmente tem uma voz fantástica”, disse. De acordo com Shankman em uma entrevista exibida na Warner Channel, Por Trás dos Sonhos: o making of de Rock of Ages, o cinema tem uma vantagem em relação ao teatro: close-ups. A telona capta com muito mais eficiência as emoções. Teatro pode ser ao vivo e, na maioria das vezes, no improviso, o que, claro, é uma vantagem também. Porém, a distância entre o ator e o espectador não permite tal sensação. E isso num musical (principalmente num musical) é extremamente importante. Catherine Zeta-Jones não trabalhava num musical desde Chicago, mas ainda assim ressuscitou, com louvor, a voz boa que tem. É dela o cover do hit de Pat Benatar, Hit Me With Your Best Shot.

 Rock of Ages

Rock of Ages pode pecar na continuidade do roteiro ou no autotune exagerado em algumas músicas. Mas ainda assim não se pode tirar o mérito desta adaptação para o cinema. Os instrumentais ficaram fiéis às músicas originais, ou seja, mais um motivo para ir assistir. Destaque para a atuação do Paul Giamatti e, claro, de Diego Boneta, que demonstrou que dá conta do recado com sua voz, além de tê-la treinado de acordo com a proposta do longa.

E por favor: prestem atenção nas versões de “Pour Some Sugar on Me” (Def Leppard) e de Wanted Dead or Alive (Bon Jovi), ambas na voz de Cruise. Rock of Ages estréia nesta sexta-feira, dia 24 de agosto.

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Sobre Felippe Alves

Jornalista, 20 e poucos anos, amante assíduo da arte e da música. Dono do próprio blog. Sem sucesso pra trabalhar na área. Tenho células suicidas (elas não me suportam e colocam substitutas no lugar). Não sei o que é real ou o que é fantasioso. E definitivamente não sei lidar com MUITAS coisas.

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