Em alguma casa à beira da praia…

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Um garoto simples conhece uma garota e logo se apaixona por ela. O motivo do amor à primeira vista? Não tem, senão não teria amor à primeira vista. Eles ficam de bobeira no quarto, apenas conversando. Com suas roupas de praia. Ele não pára de passar as mãos no cabelo dela. Alisa, alisa, alisa e ficam naquela posição por mais ou menos uns 20 minutos. O momento é quebrado pelo telefone que toca bruscamente. O homem está tão absorvido pela beleza da mulher (detalhe que no começo do texto eles são apenas “garoto/garota”, indicando que o amor “amadurece” a pessoa da noite pro dia) que nem presta atenção no que ela fala ao telefone.

Quando ela termina a ligação, ele ouve passos na calçada. É família dela. Oh não. O pânico. Como eles são distintos e finos. Será que não me acharão bom o suficiente para ela? (a insegurança clichê e o uso abusivo do discurso indireto livre: característica visível do autor) Mas ele precisava encarar aquilo. Sem a companhia da namorada, ele desce as longas escadas e caminha em direção à sala. Chegando lá, dá de cara com os pais e o irmão da garota. O irmão da garota, surfista e boa pinta, todo receptivo, já foi logo falando:

– E aí, bro. Seja bem vindo à família.

O garoto, sem entender paçocas da gentileza, nem conseguiu responder, pois o surfista correu pra praia, sem mal entrar na casa. Ele não entendia porque o “cunhado” o tratou tão bem como se já conhecesse há eras. Ambiente: só os pais da menina e o menino na sala. Se sentiu como numa entrevista de emprego, mas ao mesmo tempo seguro de si. Responderia o que fosse perguntado e é isso aí. Continuando, ele se apresentou aos culpados de sua felicidade. O senhor da casa pergunta ironicamente:

– Ei, e ai? O que aconteceu aqui, afinal?

Assustado e nervoso, porém tentando mostrar um resquício de segurança, disse:

– Nada. Nada. Nada. Nada. Nada. (repetição devido ao nervosismo). O que pode ter acontecido, oras?

– Te assustei, huh? Brincadeira, meu rapaz. Que bom vê-lo aqui.

Primeiro o irmão da namorada, agora o pai dela também agia como se o conhecesse há anos e ainda o cumprimentou educadamente. Diferente dos outros namorados da filha que nem sempre eram dignos de tamanha gentileza. Enquanto a menina não descia, o pai aproveitou pra conversar mais com o garoto:

– Quais são suas intenções com a minha filha? Vê lá, hein… ela é muito especial e não quero que ela sofra.

– Olha, se depender de mim, ela será a mulher mais feliz do mundo. – respondeu ele.

– O que você faz da vida? – perguntou o pai.

– Eu acabo de me formar em Relações Públicas e trabalho pr’uma agência de publicidade.

– Interessante, interessante.

Durante a conversa, a filha querida e adorada desceu do quarto, toda maquiada. Pelo visto, pronta pra se casar com a noite e explorar tudo o que tinha direito. O pai, conhecendo o histórico do juízo da filha e acostumado com o fato da filha se divertir e não querer nada com nada da vida, disse ao garoto:

– Olha, pra início de conversa eu olhei pra você e não botei fé. Mas depois de ver você e suas conquistas, eu cheguei a uma conclusão: minha filha não é o suficientemente boa pra você!

– PAI!!! – gritou, indignada, a menina.

Ele finalizou:

– Esta garota tem o olho junto e vai te levar à ruína. Você não quer acabar que nem aqueles dois ali, certo? – ele apontou para o jardim, onde estavam duas covas, uma do lado da outra – Fuja, meu caro. É uma cilada!

Moral da história: Se fosse um zé das couves qualquer, cabeça de vento como a filha, o pai da garota certamente não teria alertado aquele garoto do futuro promissor. Agora sim ele podia deitar a cabeça sobre o travesseiro tranquilamente. Por ter salvado mais uma vida da desgraça e da ruína.

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Sobre Felippe Alves

Jornalista, 20 e poucos anos, amante assíduo da arte e da música. Dono do próprio blog. Sem sucesso pra trabalhar na área. Tenho células suicidas (elas não me suportam e colocam substitutas no lugar). Não sei o que é real ou o que é fantasioso. E definitivamente não sei lidar com MUITAS coisas.

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