Dissertando a amizade (repentina)

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Ao ver pessoas com cara de nada e que não vão atribuir em nada na minha existência, descarto logo de cara. A minha paciência se mostra nula para várias pessoas, a ponto de ignorá-las mesmo.

Porém, às vezes, vamos tanto com a cara de uma pessoa que, mesmo que ela não atribua em nada, você ainda se sente bem tendo a companhia dela. Custei a acreditar nisso, mas nem sempre a afinidade das idéias está relacionada com inteligência e bons papos. Mas o foco aqui não é o que a pessoa atribui ou traz de relevante pra sua vida.

Amizade é outro assunto complicado. É algo intenso. A capacidade de ir com a cara da pessoa logo de primeira é tão alta quanto não ir. Não tem meio termo. Claro, algumas coisas só o tempo diz. Convivência, pontos em comum, brigas, reconciliações, etc. Por mais que esses fatores andem de mãos dadas, nada impede a pessoa de chamar a outra de amiga em tão pouco tempo.

Algumas pessoas falam: “como você se diz amigo de uma pessoa com apenas uma semana de convivência? Isso não existe”. Sim, existe. Se existe o amor a primeira vista, por que não o amigo a primeira vista? Mesmo gosto para livros, músicas, cinema, etc. Óbvio, podemos estar enganados quanto àquela pessoa. Ela pode parecer ser uma coisa, mas no final ser outra.

Acontece que, naquela hora, pela afinidade de assuntos, por uma certa e breve convivência, já dá pra imaginar como a pessoa será no futuro. Aí é que entra outro ponto: a sua conta em risco. Pelo fato da amizade parecer promissora, você acaba esperando se tornar “amigo de infância” daquela pessoa um tanto cedo demais.

Pode parecer cedo para chamar a pessoa de amigo de infância, mas é uma consequência que todos estão dispostos a passar. Por mais dolorosa que possa ser. Isso varia de um indivíduo pra outro: esperar demais de uma amizade e achar que aquela pessoa nunca vai errar. Como por exemplo, em um intervalo de 2 ou 3 dias, você (inconscientemente) já pega um vínculo. Ou seja, sabe que (aparentemente) aquela pessoa não sofre da tão conhecida escassez de ligações neurais. Isso já é um imenso passo, acredite.

“Como você sabe do caráter dessa pessoa? E se ela te magoar no futuro, sair da sua vida sem deixar rastros, ou te esquecer completamente: das conversas, dos conselhos, da troca de músicas, do “encorajá-lo aos desafios”, etc? Uma coisa se pode dizer em nossa defesa: “não vamos saber se não tentar”. Pessoas tem tendência a magoar as outras, é inevitável. Magoamos muitas vezes até sem querer. C’est la vie. Se isso te impedir de fazer novos amigos, a única lista de amigos que terá é a do Facebook.

Não é questão de “mundo mágico da imaginação” onde todo mundo será seu amigo pra sempre. Sabemos que o mundo gira e todo aquele bla bla bla de sempre. O fato é que não tem nada de anormal em chamar uma pessoa de amiga. Ou seja: ao chamar aquela pessoa de amigo (não de colega, nem de conhecido), você automaticamente está dando a chance pra ela mostrar o melhor que há dentro dela (interprete como quiser e com a conotação desejada). Lembre-se que confiança é tudo. É como esvaziar brutalmente um tubo de pasta de dente e tentar colocar novamente dentro.

Não somos tão estúpidos a ponto de deixar passar uma pessoa falsa diante de nossos olhos. Claro, pode acontecer. Uma vez na vida, outra na morte. Isso requer astúcia para reconhecer pessoas “duas caras” de longe, assim como pra enxergar pessoas legais de longe e não deixar que elas se percam no meio do caminho. E que, infelizmente, muitas vezes acabamos perdendo.

Portanto, não se sintam acanhados em chamar uma pessoa de “amiga” em um curto intervalo de tempo. Não pense que você vive num “mundo ideal” e muito menos que você leva amizades a sério demais. Você apenas está dando a chance a uma determinada pessoa de se mostrar gente fina e, quem sabe, o futuro padrinho do seu (sic) casamento ou do seu (sic duplo) filho. Nunca se sabe.

 

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Sobre Felippe Alves

Jornalista, 20 e poucos anos, amante assíduo da arte e da música. Dono do próprio blog. Sem sucesso pra trabalhar na área. Tenho células suicidas (elas não me suportam e colocam substitutas no lugar). Não sei o que é real ou o que é fantasioso. E definitivamente não sei lidar com MUITAS coisas.

2 Respostas para “Dissertando a amizade (repentina)

  1. Renan Bernsts

    Ótimo texto! Concordo em grande parte com ele! Ponto alto “Algumas pessoas falam: “como você se diz amigo de uma pessoa com apenas uma semana de convivência? Isso não existe”. Sim, existe. Se existe o amor a primeira vista, por que não o amigo a primeira vista?”
    Já aconteceu comigo grandes amizades a primeira vista e que são amigos a um longo tempo.
    Acho que existem vários tipos de amizade. O da primeira vista, o que conheceu aos poucos e gostou, o montanha russa (que a gente tem altos e baixos, mas sempre está lá para nos divertir) e etc… Todos fazem parte da vida.
    Creio que as pessoas devem sim preservar as amizades, já que a amizade é uma forma diferente de amar.

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Felippe Alves


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