Enquanto isso, no corredor de uma famosa gravadora…

… Lüc, que finalmente tinha conseguido seu tão sonhado emprego numa influente gravadora, estava com seu órgão vital popularmente conhecido como fone de ouvido (objeto este responsável pelo ensurdecimento precoce dele 25 anos depois) cantando Suspicious Minds do Elvis Presley, distraído e preso num mundo o qual ele não sabia se faria parte ou não algum dia.

Naquele mesmo corredor, um empresário saía infeliz da porta do big boss da gravadora, simplesmente porque não conseguia vender seu peixe. Conseguir um contrato para um promissor cantor que assessorava era mais difícil do que a possibilidade da Kesha não usar o autotune. Pobre Brian. A indústria fonográfica já estava saturada daquele som e, por isso, nunca era passado adiante. Eletrônico, Dance e R&B “mais do mesmo” que infestava as rádios eram alguns dos estilos. Qualidade e consistência pra quê? Queremos o topo dos charts e vendas everestianas.

Brian, já sem esperanças, preparava o “sombrero” e o protetor solar para vender água de côco na praia, quando ouviu Lüc cantar. Seus olhos brilharam ao ouvir aquela voz tão única. Ok, nem tão única assim. Trata-se de uma voz completamente diferente, que tiraria a indústria fonográfica daquele marasmo fútil e superficial de discos produzidos a curto prazo, sem aquele toque genial, retrô e ao mesmo tempo futurista, por exemplo.

Como um talento daqueles trabalha num escritório atendendo telefone ou carregando pacotes de papel A4, desperdiçando seu tempo sendo que ele poderia estar trabalhando em algo inovador? É como dizem, “tempo é dinheiro” e, por mais que os pensamentos dele fizessem completo sentido, ele teve de interrompê-los para correr atrás do “jovem garoto com fone de ouvido”, como era conhecido no setor. Ele tocou o ombro do rapaz e disse:

– Esses seus graves e nuances vocálicos são incríveis.
– Oi?
– Eu preciso de você?
– O que? – perguntou Lüc, assustado.
– Preciso de você na gravadora. Agora.
– Ah é? E quem me garante que você não vai me vender como escravo sexual na Europa?
– Como se você tivesse o perigón para se tornar es…

WAAAAAT

Ele pára e pensa no que ia dizendo sem parecer suspeito. Ele continuou:

– Enfim, o que quero dizer é que sua voz é única atualmente, ainda mais neste cenário musical tão repetitivo quanto este em que vivemos.

– Ok, ok. Posso me desligar do mundo com meu fone de ouvido, mas não sou cego. Não é de hoje que eu vejo você sair desiludido da sala do big boss, sem ninguém pra apresentar. Estou disposto a ajudar você. Eu aceito que você me assessore, eu assino o contrato que for. 

– Sério? Faria isso?

– Sim, mas não faço isso por mim. Sei do meu talento e que, mais cedo ou mais tarde, um empresário me acharia *lixa* Você é um cara de sorte que, coincidentemente, estava na hora certa e no lugar certo. Em suma, aceito o trato. Mas com uma condição.

– Qual?

– De que não vai me vender como escravo sexual na Europa.

– Fechado.

E foi assim que Lüc conseguiu seu contrato na gravadora e conquistou o mundo com sua poderosa voz.

Imagem1

Mesmo contra sua vontade, ele aperfeiçoou sua voz em aulas de canto (mesmo achando desnecessário, lixa) e ficou bem melhor, arrancando ainda mais elogios da crítica especializada.

PS.: Como seria fácil se o talento sincero se mesclasse com esse tipo de sorte, néam?

 

Anúncios

Sobre Felippe Alves

Jornalista, 20 e poucos anos, amante assíduo da arte e da música. Dono do próprio blog. Sem sucesso pra trabalhar na área. Tenho células suicidas (elas não me suportam e colocam substitutas no lugar). Não sei o que é real ou o que é fantasioso. E definitivamente não sei lidar com MUITAS coisas.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Felippe Alves


Jornalista, 20 e poucos anos, amante assíduo da arte e da música. Dono do próprio blog. Sem sucesso pra trabalhar na área. Tenho células suicidas (elas não me suportam e colocam substitutas no lugar). Não sei o que é real ou o que é fantasioso. E definitivamente não sei lidar com MUITAS coisas.

What we´re gonna do right here is go back

dezembro 2011
S T Q Q S S D
« nov   jan »
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
262728293031  

Latest Tweets

Erro: Assegure-se de que a conta Twitter é pública.

%d blogueiros gostam disto: