Como lidar com a própria morte?

Nunca sonhei com a própria morte. Pelo menos até a noite passada. Depois de meses sem sonhos bizarros, este veio simplesmente do nada e mesmo sendo ruim de comentar aqui, pode ser ainda pior se eu não colocá-lo. Descrevo aqui um sonho completamente diferente, bizarro e praticamente indecifrável. A sorte é que eu sou um detetive pra essas coisas e tento explicar meus sonhos a minha maneira. As partes mais curiosas eu comento embaixo. Sem mais devaneios: o sonho.

O sonho começa com o clímax certeiro e sem motivo: um tiro em minha direção. Logo depois, um replay de como foi o tiro com a pessoa que atirou em mim dizendo ironicamente, zombando de mim: "se você tivesse se abaixado, teria se salvado". Como se eu tivesse opção na fração de segundo, néam? Depois do tiro, todos esperavam que eu não levantasse, nem começasse a sapatear ou coisa do gênero, correto? Não foi o que aconteceu. Eu tinha morrido, mas estava vivo (pelo menos) naquele momento. O motivo: foi me dado um dia a mais de vida. Neste dia a mais de vida, pessoas que eu conheci foram passando pelos meus olhos de diferentes maneiras, numa espécie de universo paralelo, deixe-me explicar melhor: uma pessoa que eu conheci na infância, exemplo: uma monitora do ônibus escolar, se tornou cobradora de transporte público (?) e etc. Passei por bancas de jornal, olhando para jornais em branco, sem manchetes (que eu interpreto aqui claramente como uma alusão à minha profissão ainda não exercida com louvor) e por diferentes ruas que eu já estive antes, recentemente ou há séculos atrás (sim, atrás desse rosto jovem se esconde um rapaz vivido e com rugas subliminares pra dar e vender).

Teria sido eu no sonho um morto-vivo? Pode ser. Sem querer pagar de Brás Cubas, por favor entendam. Levei um tiro, mas ainda tive a oportunidade de ver minha vida passando por meus olhos antes do suspiro final.

Possíveis motivos por ter ganhado este dia a mais de vida:

1 – Ter sido um bom menino e por ter dado de comer às pombas e ajudado a velhinha a atravessar a rua (er,… pouco provável);

2 – Ter sido sorteado divinamente para curtir suas últimas horas de vida da maneira que achasse mais digna;

3 – Ter a oportunidade de usar essas últimas horas extras de vida para refletir sobre seus atos e erros durante a vida.

Confesso que esse sonho me assustou um pouco. Mas seja lá qual for o verdadeiro motivo e cada teoria analisada, sei que a hora de todo mundo vai chegar, inclusive a minha. A questão é: pra que se prender a datas? Seja como for a vida, ela foi feita pra ser vivida em qualquer circunstância – boa ou ruim – e cada um de nós tem uma missão, uma obrigação pra cumprir. Não só obrigações como vontades e desejos próprios que podem mudar nossas vidas pra sempre. Para sempre.

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Sobre Felippe Alves

Jornalista, 20 e poucos anos, amante assíduo da arte e da música. Dono do próprio blog. Sem sucesso pra trabalhar na área. Tenho células suicidas (elas não me suportam e colocam substitutas no lugar). Não sei o que é real ou o que é fantasioso. E definitivamente não sei lidar com MUITAS coisas.

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Felippe Alves


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