Uma Vingança Bem Salgada

Olivia era uma menina bem difícil de se lidar. Apesar de seu temperamento bipolar, ela desejava ter um relacionamento social melhor. Pessoas viviam zombando dela e ela tinha que lidar com isso de cabeça baixa, pois senão tudo piorava. Ela sempre ameaçava mudar de escola, mas a oportunidade sempre fugia. Porém, sua vida tinha alguns prós. Ela podia contar com dois grandes amigos: Miguel e Eduardo. Eles estavam ali pra ela sempre que precisasse de alguma coisa. Mas vocês sabem: o mundo não pára de girar. Agora vocês terão prova da bipolaridade de Olivia. Ela pode ser ingênua, sofrida, zombada, ter um inferno particular. O que vocês não sabem (ainda) é que ela tem o poder de transformar outras vidas em inferno também. Inclusive de melhores amigos. Sim, justamente de quem vocês estão pensando. Desde o jardim, Miguel e Eduardo sempre foram grandes amigos. Piqueniques, viradas de noite com videogames e muitas histórias pra contar. Sempre foram vistos juntos e, até então, todos os chamavam de dupla inseparável. Todos curtiam a amizade que eles tinham, eram como irmãos. Populares e inteligentes, tinham tudo o que precisavam para ter uma vida social interessante.

No dia seguinte, quando chegaram à escola, se depararam com todos rindo de suas caras. Sem entender o porquê das risadas, olharam para o lado e se depararam com cartazes onde se lia: Miguel e Eduardo: Amor eterno. Ficaram furiosos no início, mas depois passou. Queriam saber quem tinha feito aquela brincadeira de mau gosto. Depois de muitas risadas às suas custas, no final do dia escolar, Miguel encontrou um bilhete anônimo no seu ‘armário’, que dizia:

– Eu sei quem foi o autor da brincadeira dos cartazes. Alguém bem íntimo de vocês dois. Melhor dizendo, autora. Encontre-me no laboratório de áudio e vídeo amanhã às 9 da manhã. PS.: Já sabem por que eu deixei o bilhete no armário, néam? Hein? Hein? ALOKA BEES! Se joguem, pintosas!

Miguel não agüentava mais, agora já foi longe demais, não aguento mais. Amanhã mesmo, ele estava decidido a tirar isso a limpo.

Dia seguinte. Ele entrou no laboratório de áudio e vídeo. Um clique de controle remoto soou como a bomba atômica que atingiu Hiroshima e Nagasaki em agosto de 1945 no final da Segunda Guerra Mundial naquela sala silenciosa. O retroprojetor se ativou, como mágica, mostrando fotos (em má qualidade, porém bem visíveis – notou-se que eram fotos de celular) com alguém colando cartazes em uma parede. Com um zoom, o susto foi certeiro: Miguel viu o rosto de Olivia. Olivia, como pode ter sido ela? Por que ela fez isso comigo?

Saiu da sala arrasado pela traição, pela reputação duvidosa que sua amiga ocasionou. Naquele dia, mais tarde, contou ao amigo quem foi a responsável pela colagem dos cartazes.

– Eu deveria ter imaginado – disse Eduardo – deveria ter notado como ela ficou misteriosa nesses dias… Mas que vadia rameira. Ela sabia que isso tiraria nossa popularidade. Vamos agir como se nada tivesse acontecido e ver como ela se comporta. Uma semana. Se ela não mudar o comportamento dela em uma semana ou se não admitir o que fez, ela vai pagar caro. Ela vai sentir um gostinho especial da vingança. Entendeu? Gostinho. As oportunidades aparecem assim, plu.

Uma semana se passou. Olivia se manteve intacta, pura de culpa. Praticamente se imaginou num altar para tamanha santidade. Encontrou Miguel e Eduardo ao lado do armário. Cordialmente, perguntou como estavam suas vidas, as novidades e planeja programas com os melhores amigos.

– E aí, caras. O que faremos no final de semana? Estou querendo ir ao shopping comprar aquele videogame novo: ‘O Ataque Triplo das Baleias Dançantes’, sabe? Parece ser bem legal. Que tal?

– É, pode ser. Eu também tava querendo comprar uns jogos novos mesmo – respondeu Eduardo.

– Caras, eu estou morrendo de sede. Podem ir à cantina pra mim e me comprar um copo de guaraná?

– Claro que podemos. Um momento só. Espere aqui, está bem?

Os dois saíram em direção à cantina. Compraram o refrigerante e o tomaram. Mas como voltar em direção à Olivia sem a bebida refrescante dela? Foram no banheiro, urinaram no copo. Porém, não foi o suficiente pra enchê-lo. A solução foi mergulhar o copo em privadas sujas. Eles estavam determinados a fazê-la pagar pela palhaçada toda com o lance da sexualidade. Não que isso seja motivo de vergonha, mas para pessoas populares como eles, teve um impacto sim. Impacto o qual eles estavam dispostos a se vingar. E de uma maneira bem infantil. Alguns minutos depois, entregaram o copo à Olivia. Ela estava tão seca que nem sentiu cheiro de nada, só bebeu de um gole só. Alguns segundos depois, a ficha caiu. Resquícios da bebida foram cuspidos, mas já era tarde: 98% havia sido ingerida. Percebendo a vingança, ficou furiosa. Nessa hora, confessou tudo:

– Sim, eu queria acabar com a reputação de vocês mesmo. A chata e irritante sempre sou eu. Por que ninguém gostava de mim? Por que sempre eu era a zombada? Vocês acham que ninguém sabia das minhas colagens? Isso me ajudou a ganhar popularidade. Queria ser vista de um modo bagunceiro por zombar de pessoas como vocês. Funcionou até. Consegui fazer amizade com os baderneiros do fundão e agora eles não me olham mais como uma ramelona. Percebem o quanto é importante pra mim ser notada?

Ela amaldiçoou toda a árvore genealógica dos dois. Traduzindo: ela os deixou estéreis pro resto da vida. Miguel e Eduardo jamais transmitirão a nenhuma criatura o legado de suas misérias.

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Sobre Felippe Alves

Jornalista, 20 e poucos anos, amante assíduo da arte e da música. Dono do próprio blog. Sem sucesso pra trabalhar na área. Tenho células suicidas (elas não me suportam e colocam substitutas no lugar). Não sei o que é real ou o que é fantasioso. E definitivamente não sei lidar com MUITAS coisas.

Uma resposta para “Uma Vingança Bem Salgada

  1. Laís

    DHAISUDHASIUDHASIUDHAISUDHAISUDHASIUDHAISUDHIUSDHAIUSDHAISUDHUISADHIUASHDIUASHDIAUSDHIASUDHAIUSDHAISUDHIAUSDHIASUDHASIDHUIASDHIUASDHUIASDHIASDHUIASDHUISADHUAISDHISADHAISDHAISDHAISUDHAISUDHIASUD
    Que trágico!
    Sem mais.
    HDIUASHDIAUSDHAISUDHASIUHSUIADHASIUDHASIUDHASIDUHHIASUHASIUDHASIDUHASIDUHASIUDHAISUDHASIDUHASU

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Felippe Alves


Jornalista, 20 e poucos anos, amante assíduo da arte e da música. Dono do próprio blog. Sem sucesso pra trabalhar na área. Tenho células suicidas (elas não me suportam e colocam substitutas no lugar). Não sei o que é real ou o que é fantasioso. E definitivamente não sei lidar com MUITAS coisas.

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