Imagem, espetáculo e subjetivação

A ilusão criada pelas imagens é a ilusão do fantasma ou do ícone. Ela não consiste de forma alguma em atribuir às imagens aquilo que se atribui à própria realidade. É exatamente o contrário: ela consiste em atribuir à própria realidade o poder que é das imagens, o poder de representar.

A ilusão imaginária consiste em crer que a realidade tem o poder da sua própria representação, em atribuir à realidade ausente representada pela imagem o poder de se apresentar ela mesma em imagem. Essa ilusão está de algum modo ligada àquilo que podemos chamar de transparência da imagem. Quanto mais a imagem tem o poder de tornar presente o ausente, mais ela engendra a ilusão segundo a qual ela não tem poder e que é o próprio ausente que se apresenta na imagem. Olhamos a imagem mas não a vemos, já que ela é transparente. O maior poder da imagem é o de não aparecer. Não vemos a imagem, só vemos a coisa representada. Vemos o significado, não o significante, e é ao representado que atribuímos o poder que é o da imagem, o de se tornar presente. O mais perigoso poder da imagem é fazer-se esquecer uma imagem.

WOLFF, Francis – “Por trás do espetáculo: o poder das imagens” – Cia das Letras.

Texto dado na aula de Pensamento Contemporâneo. Interessante mesmo. Vocês com certeza já ouviram a famosa frase: “as aparências enganam”. Isso é uma frase clichezona de mão cheia, mas se encaixa perfeitamente no contexto do texto. Afinal, a imagem é a representação de alguma coisa. Às vezes soa falsa – sem citar o Photoshop e outros retoques com o advento da tecnologia – a imagem é apenas ilusória. Uma imagem diz uma coisa, mas na realidade é totalmente outra. A imagem hipnotiza, te faz querer o objeto naquela hora. Mas quando você o finalmente tem em mãos, vê que não é aquela coisa e se frustra. Com o passar do tempo, outra coisa aparece. E você quer consumir. É um ciclo do qual você está eternamente preso. Preso na sua tolice. Exemplo comum: uma mulher bonita na revista. Ela existe? Existe. Mas ela é realmente daquele jeito (por favor, não leve o Photoshop em conta neste texto… encare como um texto antes da tecnologia)? E aquela propaganda com uma mulher sorrindo? Ela está realmente feliz? Estaria a tristeza, a náusea, o infortúnio por trás daquele sorriso? Ou seria verdadeiro ao ver a conta bancária depois do ensaio fotográfico? É impossível desvendar as imagens cem por cento. No fundo, no fundo, é apenas uma representação mesmo: uma roupa, um sorriso, uma pose. As pessoas abrem a boca pra dizer que, convivendo com uma pessoa cara a cara é possível ver como ela é de verdade. “Ai, como ela é falsa” e etc. A conclusão então é: nós convivemos com imagens vivas, que são os seres humanos. Eles, então, são imagens. Eu sou uma imagem. Eu não sou eu, se é que me entendem. Já que eu sou uma imagem, que tal eu me apagar com a borracha? Mas e se eu fui concebido de caneta? Corretivo mancha. Nada de sêmen, espermatozóides furando óvulos ensandecidamente. Somos todos imagens, diferentes representações feitas de diferentes tipos de papéis, pintados de diferentes cores e texturas. Até que um dia a tesoura chega e nos corta ao meio. Teria metáfora melhor pra representar a morte? A imagem está lá, mas ao mesmo tempo não. Ela tem esse poder de fugir, mesmo estando presente. Alguém poderia me explicar, por gentileza?

(Feedback fruto do meu sono e insanidades noturnas. Reflitam. Ou não).

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Sobre Felippe Alves

Jornalista, 20 e poucos anos, amante assíduo da arte e da música. Dono do próprio blog. Sem sucesso pra trabalhar na área. Tenho células suicidas (elas não me suportam e colocam substitutas no lugar). Não sei o que é real ou o que é fantasioso. E definitivamente não sei lidar com MUITAS coisas.

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