Finais inesperados – pt 1. Os Três Porquinhos

 

Cansados do ‘Feliz pra Sempre’ nas histórias infantis? Eu resolvi mudar o rumo dos personagens, afinal ‘vida é vida’. Ninguém é ‘feliz pra sempre’. Se todos fossem felizes para sempre, a vida seria muito frustrante. Ok, antes do ‘feliz pra sempre’ os personagens comeram o pão que o diabo amassou, mas e aí? Depois se safaram e pronto. Fim da história. Não, eu não me conformo. Por isso estou aqui para acabar com essa história de ‘feliz pra sempre’, porque isso não dá camisa a ninguém.

Os Três Porquinhos

Era uma vez três porquinhos trigêmeos. Astolfo, Ruffos e Idino. No aniversário de 18 anos deles, a mãe deles, Serafina, disse:

– Vocês já completaram 18 anos. A partir de hoje são adultos, donos do próprio nariz, prontos para arcarem com quaisquer responsabilidades. Hora de cada um seguir sua vida, construir sua própria família. Eu já tô cansada demais pra ficar trabalhando e sustentar marmanjos com barba na cara.

Com isso, os porquinhos – porcões – saíram de casa, procurando um rumo decente.

Durante o caminho, os irmãos conversavam:

– Hm, nossa mãe está certa. Temos que seguir em frente – disse Astolfo, o mais correto dos irmãos.
– Bah, que nada. Ela só está nos colocando pra fora de casa à toa. Reclamava muito quando eu chegava mais de duas da madrugada em casa – rebateu Ruffos, o mais arruaceiro deles.

Foi aí que Idino, o meio termo deles, começou a falar:

– Parem de conversa fiada e podem começar a pensar no futuro. Como vão se sustentar? Como vão comer? Já pensaram como vão construir suas casas?

– Eu quero fazer algo simples, clean. Construirei uma casa de palha e já tá ótimo – respondeu Ruffos – depois eu terei tempo de sobra pra paquerar umas cocotinhas.

– Pois eu quero uma casa rústica, de madeira. – respondeu Idino.

Astolfo, dessa vez, tinha mais seriedade na voz:

– Vou construir uma casa de tijolos bem jeitosa, com uma elegante chaminé.

Dias depois, todos com suas casas prontas, comemoraram juntos no bosque. Um lobo velho das redondezas, escondido atrás de uma árvore, viu os três porquinhos felizes e pensou: "Eles vão ver só o que terá pro jantar, muahahahaha".

Ruffos estava tranquilo em sua casa, quando de repente ouviu uma batida forte na porta. Viu pela janela que era o lobo. O bicho gritou:

– Abra já essa porta ou eu vou assoprar a casa e derrubar.

– Não vou abrir nada. Vai procurar sua turma, seu velho tarado.

Irritado, o lobo assoprou a casa e a palha voou toda, restando apenas o esqueleto da casa. Ruffos saiu correndo por 2 km a frente e entrou na casa de Idino. O lobo viu e fez aquele escarcéu:

– Ou me deixem entrar ou sintam minha fúria.

Como a casa era de madeira, ele decidiu se poupar e jogou um saco de cupins biônicos e plu. Assim, em menos de 30 segundos, como num desenho animado, a casa rústica de Idino ficou só o caco.

Apavorados, eles correm pra casa de tijolos de Astolfo. O lobo vê a casa de tijolos e fala:

– Aham porquinhos fedidos, sentem lá. Até parece que eu vou gastar meus pulmões debilitados pra assoprar tijolos. Quero curtir minhas férias no Caribe com meus pulmões inteiros.

Horas depois, os irmãos tinham até esquecido do Lobo. Eles ficaram sossegados, vendo fotos antigas de quando eram crianças e não tinham preocupações e acne.

No crepúsculo, o lobo sobe no telhado:

– Fiz um esforço do cão pra comer vocês e não consegui. Quer saber? Sei quando reconhecer uma derrota. Não vou comer vocês, mas vocês terão de pagar um preço caro: a casa de tijolos. Não vou gastar meus pulmões só pra uma coisa que eu vou comer e ainda vai me dar indigestão.

Com isso, ele pegou uma dinamite e jogou dentro da casa pela chaminé.

A casa deu perda total. O lobo saiu com um ar austero e rindo alto. Sem rumo na vida, os porquinhos voltam pra casa da mãe querendo colo. O que encontram? Um bilhete na mesa da cozinha que dizia:

“Casei com o Senhor Touço e fomos morar na Suíça. Sejam felizes e mantenham contato.”

Final da história: os três irmãos ficaram desabrigados e seguiram comendo o pão que o diabo amassou.

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Sobre Felippe Alves

Jornalista, 20 e poucos anos, amante assíduo da arte e da música. Dono do próprio blog. Sem sucesso pra trabalhar na área. Tenho células suicidas (elas não me suportam e colocam substitutas no lugar). Não sei o que é real ou o que é fantasioso. E definitivamente não sei lidar com MUITAS coisas.

2 Respostas para “Finais inesperados – pt 1. Os Três Porquinhos

  1. Só você mesmo ! Adoro essa sua criatividade, sua inteligência. V. é dez !!!

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Felippe Alves


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