Abbey Road, 40 anos – parte 2

 

Abbey Road

A saideira. Como fechar um ciclo bem sucedido de um jeito qualquer? Ah, é o último álbum mesmo, quem se importa se vai ficar bom? Nada disso. A saideira não é apenas como o fim de um ciclo. É como a última nota a ser entoada, é como o último suspiro. Tem que ser brilhante, tem que valer a pena. Ser memorável é pouco.

Em 26 de setembro de 1969, foi lançado o último disco dos Beatles. Último a ser gravado e penúltimo a ser lançado. Abbey Road trouxe à tona a evolução de George Harrison como compositor. Logo no começo do álbum, Something é a reprodução da guitarra obscura que nos remete ao sucesso While My Guitar Gently Weeps do Álbum Branco, tornando-se uma das baladas mais inesquecíveis do beatle místico. É a segunda música mais regravada do mundo, ficando atrás de Yesterday, composição de McCartney. Já foi regravada por Frank Sinatra, que afirmou ser uma das mais belas canções de Lennon & McCartney. Hein?, pergunta você: fã. O lado B começa com Harrison mais uma vez: Here Comes The Sun. Os problemas envolvendo a gravadora recém-formada Apple e as discussões diárias da banda, essa composição foi a forma que Harrison achou para se mostrar um pouco otimista apesar de todos esses problemas.

Abbey... 

A voz camaleônica de Paul tornou possível a gravação de Oh! Darling, uma música estilo anos 50 com o vocal gritado e intenso. A música foi gravada por etapas, um trecho por dia para que a voz tivesse força suficiente para alcançar as notas. You Never Give Me Your Money foi uma brincadeira em relação aos problemas financeiros na Apple. Octopus’s Garden, composição de Ringo, é bastante estimada pelos fãs da banda, visto que foi uma das poucas vezes em que teve uma composição sua num álbum de estúdio. The End sela o fim do álbum sem tantas explicações. Pra bom entendedor, alguns versos já bastam. Her Majesty é a última música do álbum, com apenas 23 segundos. A gravação foi parar acidentalmente na fita master ficando junto com as outras músicas. Paul aprovou e deixou como estava.

217755151_82fe53c19f_o

A capa do álbum marcou pela  genialidade do quarteto. A famosa história da suposta morte de Paul McCartney num acidente de carro em 1966, Paul is dead, foi reforçada na capa do álbum trazendo mensagens subliminares como Paul caminhando descalço (a forma que se enterravam pessoas na Inglaterra) e segurando um cigarro na mão direita (sendo que era canhoto, dando a entender que era um sósia) entre outras curiosidades como a placa do fusca branco parado: LMW – 281F. Linda McCartney Weeps (Linda McCartney chora) ou Linda McCartney Widow (Linda McCartney viúva) e o 281F representando a idade que Paul teria, 28 anos se (if) continuasse vivo. Na música Come Together, no verso “one and one and one is three” (um e um e um são três) dando a entender que só existiam três Beatles. É o preferido de muitos fãs e foi o vinil mais vendido nos Estados Unidos no ano de 2008.

Comentário pessoal: Mesmo com brigas e desentendimentos internos, eles deixaram o clima ruim fora do estúdio e gravaram o álbum dignamente, assim fechando o ciclo com chave de ouro. Já que era a saideira, por que não dar aos fãs o melhor?

Ainda no assunto "Remasters", aí vai a foto do Abbey Road remasterizado:

 abbeyrd_combine-1024x1024

Anúncios

Sobre Felippe Alves

Jornalista, 20 e poucos anos, amante assíduo da arte e da música. Dono do próprio blog. Sem sucesso pra trabalhar na área. Tenho células suicidas (elas não me suportam e colocam substitutas no lugar). Não sei o que é real ou o que é fantasioso. E definitivamente não sei lidar com MUITAS coisas.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Felippe Alves


Jornalista, 20 e poucos anos, amante assíduo da arte e da música. Dono do próprio blog. Sem sucesso pra trabalhar na área. Tenho células suicidas (elas não me suportam e colocam substitutas no lugar). Não sei o que é real ou o que é fantasioso. E definitivamente não sei lidar com MUITAS coisas.

What we´re gonna do right here is go back

setembro 2009
S T Q Q S S D
« ago   out »
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
282930  

Latest Tweets

Erro: o Twitter não respondeu. Por favor, aguarde alguns minutos e atualize esta página.

%d blogueiros gostam disto: