Os 20 Anos de Like A Prayer

Março de 1988. A carreira de Madonna estava no ápice. Uma artista realizada graças a criatividade e inovação. Mas a vida pessoal estava infeliz. Quase chegando aos 30 anos de idade, teve que lutar contra seu passado e o seu presente ao mesmo tempo. O passado: a morte tão prematura de sua mãe, Madonna Fortin, de câncer de mama. Difícil pra uma criança de cinco anos entender. Esse já era um dos demônios que lutava contra. Agora o então atual: o conturbado divórcio com Sean Penn. Ao som desse álbum fantástico, aqui relatarei uma data marcante para os fãs dessa obra-prima. O divisor de águas na carreira dela completa 20 anos de idade hoje. No dia 21 de março de 1989, Madonna lança Like A Prayer, um álbum com uma temática bem diferente de seus álbuns anteriores. Um álbum autobiográfico e maduro, com experiências e situações vividas, com algo a dizer. Madonna dedicou o álbum à mãe, a mulher que a ensinou a rezar. Produzido por ela mesma, Patrick Leonard e Steve Bray, o disco traz um som diferente do pop despojado e um flerte com novos estilos como rock, soul e funky.

Like A Prayer abre o álbum com o tema religião. I’m down on my knees, I wanna take you there, mostra a oração como ponto de partida para a salvação. Mas não é só isso. A letra pode ser interpretada de muitas maneiras. Um coral magnífico e um vídeo polêmico fez da música um marco entre os fãs e amantes de Madonna.

Express Yourself é uma crítica às mulheres sem amor próprio e opinião, sendo submissas aos maridos e sem auto-estima. É uma mensagem ‘acorda pra vida, seja você mesma, expresse-se’!

Love Song, um dueto com Prince, como parece o título, não é uma canção de amor. É uma reclamação, uma discussão entre um casal. É uma faixa que muitos fãs pulam ao ouvir o álbum, mesmo sendo inteligente. Essa faixa interliga-se perfeitamente com a outra, como uma continuação de uma história. Uma simples briguinha se torna em…

Till Death Do Us Part retrata a vida turbulenta e o fim do casamento com Sean Penn. She’s had enough, she says the end… But she’ll come back, she knows it then… A chance to start it all again. Versos mais claros que estes, impossível.

Em Promise to Try, Madonna luta com a perda da mãe, aliviando seu sofrimento.

Cherish, a sexta faixa, dá um ‘up’ no álbum, onde ela busca um relacionamento amoroso consistente.

Dear Jessie, feita para a filha de Pat Leonard, lembra a psicodelia explícita de Lucy in the Sky with Diamonds, clássica faixa do memorável disco dos Beatles, Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, 1967. E a semelhança não acaba por aí. LSD foi criada por John Lennon a partir de um desenho do seu filho, Julian. Os clipes de ambas as canções têm uma temática infantil em animação.

Oh Father é outra forma encontrada por Madonna de lutar contra o medo e a morte da mãe, misturada com a convivência difícil ao lado do pai. O clipe, filmado em preto e branco, mostra a menina Madonna do lado do caixão de sua mãe (com a boca costurada, uma imagem que perseguiu Madonna por anos. Pra perder o medo, é preciso lutar contra ele. E foi isso que Madonna fez). A parede reflete a Madonna criança no corpo da Madonna adulta com sequelas de uma ferida ainda não completamente curada.

Keep It Together nada mais é que a reflexão de Madonna sobre a importância da família sobre uma batida funk/pop/soul. Um marco.

Spanish Eyes, uma triste balada latina. Meio que uma oração. Alguns fãs adoram, choram, blá blá blá. Outros odeiam alegando que parece música sertaneja.

Act of Contrition é o profundo pedido de perdão de Madonna por seus pecados ao som de guitarras distorcidas e um coro sombrio, a música Like A Prayer ao contrário.

A turnê Blonde Ambition, de 1990, mostra o poder do disco ao vivo e com passos muito bem trabalhados, que marcou a mente de gerações. Sei que temos o documentário ‘Truth or dare – Na Cama com Madonna’, mas o registro completo dessa turnê precisa ser lançado na íntegra. Assim como o da turnê Re-Invention Tour, de 2004. Mas isso é assunto pra outro tópico.

As letras profundas, pessoais, maduras. De uma mulher que tinha passado por poucas e boas e ainda tinha que duelar com seus demônios passados, sequelas de uma ferida não completamente curada (a morte da mãe, devastada pelo câncer de mama – ouça Promise to Try). Não é a toa que o Like A Prayer tem o posto de melhor álbum da Madonna. Obra prima do pop, metodicamente concebida. Em suma, um álbum que ninguém pode deixar de ouvir.  De acordo com a Rolling Stone, é ‘o que pop pode chegar mais perto da arte‘. Sem mais.

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Sobre Felippe Alves

Jornalista, 20 e poucos anos, amante assíduo da arte e da música. Dono do próprio blog. Sem sucesso pra trabalhar na área. Tenho células suicidas (elas não me suportam e colocam substitutas no lugar). Não sei o que é real ou o que é fantasioso. E definitivamente não sei lidar com MUITAS coisas.

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Felippe Alves


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