Reforma Ortográfica (?)

Nesta segunda 29, em homenagem ao centenário da morte de Machado de Assis (que homenagem, hein?), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou os quatro decretos da reforma ortográfica para os sete países de Língua Portuguesa na Academia Brasileira de Letras. Na cerimônia, estiveram presentes Fernando Haddad, ministro da Educação, Juca Ferreira, ministro da Cultura, Sérgio Cabral, governador do Rio de Janeiro e os Embaixadores e Cônsules de Portugal, Angola e Moçambique. As mudanças que entrarão em vigor em 2009 são:

O fim do trema: o acento será totalmente eliminado. As palavras ‘freqüente’, ‘pingüim’, lingüiça, passarão a ser escritas ‘frequente’, ‘pinguim’, ‘linguiça’. Sendo somente válido para sobrenomes estrangeiros.

Eliminação de acentos em ditongos: acaba o acento nos ditongos ‘ei’ paroxítonos. Dessa maneira, ‘idéia’ vira ‘ideia’, ‘platéia’ vira ‘plateia’, ‘assembléia’ vira ‘assembleia’.

Acento circunflexo: quando dois ‘os’ ficam juntos também some. Logo, ‘vôo’ vira ‘voo’, ‘enjôo’ vira ‘enjoo’.

Cai o acento diferencial: o acento que diferenciava palavras homônimas de significados diferentes acaba. Conseqüentemente, ‘pára’ do verbo parar vai ficar apenas ‘para’, ‘pêlo’ ficará ‘pelo’.

Hífens: sai a maioria dos hífens em palavras compostas. Assim, pára-quedas vira paraquedas. Será mantido o hífen em palavras compostas cuja segunda palavra começa com h, como pré-história. Em substantivos compostos cuja última letra da primeira palavra e a primeira letra da palavra são as mesmas, será feita a introdução do hífen. Assim microondas vira micro-ondas.

Inclusão de letras: as letras antes suprimidas do alfabeto português (k, y e w) voltam, mas só valem para manter as grafias de palavras estrangeiras.

Fim das letras mudas: Em Portugal, é comum a grafia de letras que não são pronunciadas como ‘facto’ para falar ‘fato’. Elas sumirão.

Dupla acentuação: foi mantida a diferença de acentuação entre o português brasileiros e o lusitano. É comum quando se fala do acento circunflexo e agudo: assim, nós escrevemos ‘econômico’ e eles, ‘económico’.

Veredicto (se é que continuará sendo escrito assim, se é que nosso ‘querido’ presidente vai inventar de mudar também):

Indignado com a reforma completamente desnecessária e inútil. O fim do trema é ridículo. O trema é que dá o som aberto ao ‘u’. Sem ele, o ‘u’ ficará perdido nas órbitas. Eliminação de acentos em ditongos… o que falar deles? Ridículo. O acento que dava tonicidade na palavra. Idéia ficará completamente sem vida, apagada, morta. O acento agudo que dava o diferencial. O que minha professora disse na primeira série foi em vão? “Se não colocar o acento no ‘e’, ele ficará triste e vai chorar.” E a frustração, não conta? Fim dos acentos circunflexos… A sílaba tônica some novamente. É o que enfatiza a palavra. Enfim, sem comentários. O acento diferencial… Pegou no ponto forte. Preste atenção. Duas palavras iguais. O acento é que muda o sentido. Pelo = preposição masculina / Pêlo = cabelo. O nosso influente presidente resolveu retirar o acento de pêlo. Quanta honra, não? Pára, modo imperativo do verbo parar, ficará ‘para’. Para = preposição. Mais alguma coisa? Retirada dos hífens… Não sei se dou risada ou se choro. Micro-ondas. UAU! Estou estarrecido aqui. Inclusão do k, y, w… Nada demais. Mais do mesmo. Não tem o que falar nem reclamar. Fim das letras mudas… Se ela não é pronunciada, pra que permanecer? Que seja então. Dupla acentuação… Nada demais.

Em suma, essa reforma inútil da língua portuguesa (que sempre foi tão rica e teve seu diferencial) mostra a falta do que fazer de um homem que goza de seu pleno poder.

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Sobre Felippe Alves

Jornalista, 20 e poucos anos, amante assíduo da arte e da música. Dono do próprio blog. Sem sucesso pra trabalhar na área. Tenho células suicidas (elas não me suportam e colocam substitutas no lugar). Não sei o que é real ou o que é fantasioso. E definitivamente não sei lidar com MUITAS coisas.

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